Consumidor busca financiamento mais barato e juro médio cai para 40,4% anuais
As recentes altas nos juros básicos do país, aliadas ao freio na atividade econômica, estão inibindo a demanda por crédito das famílias brasileiras. Os empréstimos feitos pelos bancos aos consumidores estão crescendo menos, mas o movimento para as empresas é justamente o contrário.
De acordo com o Banco Central (BC), no mês passado o estoque de crédito para os consumidores finais cresceu 1%, sendo que em maio o avanço fora de 1,9%. Já para as empresas, os volumes cresceram 2,3% em maio e, no mês seguinte, 2,8%.
— Já temos sinais de alguma acomodação no crédito às famílias, como consequência da política monetária — afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
Ele se referia ao movimento de alta da taxa básica de juros Selic — hoje em 10,75% ao ano — implementado pelo BC desde abril passado e que já somou dois pontos percentuais Taxa média ao consumidor é a menor desde 1994.
Apesar do aumento dos juros básicos, as taxas ao consumidor recuaram, em média, 1,1 ponto percentual em junho, para 40,4% ao ano, menor patamar da série histórica do BC, iniciada em 1994. Em julho, até dia 15, permaneciam no mesmo nível. Isso não ocorreu porque as instituições financeiras derrubaram os juros finais, e sim porque as famílias passaram a procurar modalidades de empréstimo mais baratas.
Quanto maior o volume de empréstimos num determinado segmento, sua taxa influencia mais na formação dos juros médios. Em junho, os consumidores saíram do cheque especial — cujas taxas médias são de 165,1% ao ano — para o consignado, com juros de 27,1%, melhorando a média final.
— Não dá para dizer que os bancos reduziram os juros (em junho) — afirmou Lopes. Em junho, o saldo de crédito na modalidade cheque especial recuou 0,2%, enquanto o consignado avançou 1,9%. Especialistas apostam que a tendência é que as pessoas passem a buscar menos crédito e que as taxas de juros finais não subam muito.
O vice-presidente da Anefac (associação que reúne os executivos de finanças), Miguel Oliveira, lembrou que as expectativas são de o BC interromper o ciclo de alta da Selic ou passar a elevá-la em um ritmo mais lento.
— Na hora em que as pessoas veem que o país vai crescer menos, passam a ter mais cuidado na hora de contratar empréstimos — afirmou.
Para as empresas, o movimento está sendo contrário, com crédito e juros em alta. Pelos dados do BC, a taxa média cobrada das pessoas jurídicas fechou junho a 27,3% ao ano, acima dos 26,9% vistos em maio. Em julho, até o dia 15, já estava em 27,7%. Isso ocorreu, ressaltou Lopes, porque a maior parte dos custos desses empréstimos está vinculada à Selic, e a aceleração das concessões também indica uma maior demanda por investimentos.
Em comum, o BC destacou que a inadimplência recuou tanto para as pessoas físicas quanto para as empresas, cujas taxas ficaram em 6,6% e 3,6% em junho, respectivamente.
O BC informou que o total de crédito na economia chegou a R$ 1,529 trilhão, com alta mensal de 2% e de 19,7% em 12 meses. Esse volume representa 45,7% do Produto Interno Bruto (PIB).
Fonte: O Globo